Mineração tem receita recorde

Valor da produção mineral do Brasil chega a US$ 50 bilhões em 2011, com a promessa de nova expansão de 10% em 2012.

Os bons preços pagos no mercado internacional pelos bens minerais que o Brasil tradicionalmente exporta, a exemplo de ferro e ouro, e a alta demanda no mundo por esses insumos devem garantir ao país, neste ano, o maior valor da produção mineral de todos os tempos, de R$ 50 bilhões, informou ontem o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM).

A estimativa foi feita com base nos dados apurados até novembro e é pouco provável que eles sofram alguma alteração importante no fechamento do ano, mesmo influenciados pela crise na Europa e nos Estados Unidos, segundo o presidente do IBRAM, Paulo Camillo Vargas Penna. A extração em terras mineiras respondeu por metade da cifra, que cresceu 28,2% frente aos R$ 39 bilhões registrados em 2010.

“Em que pese a crise, o mundo vem passando por um período razoável de crescimento que até este ano girou em 4%, e além disso, vivemos um processo de urbanização brutal no planeta”, afirmou o presidente do IBRAM. Esses dois fatores levam a indústria extrativa a apostar em novo crescimento do valor da produção mineral brasileira de 10% em 2012. Algumas projeções de empresas de consultoria especializada servem de âncora para os números esperados no ano que vem, a exemplo da estimativa de que até 2050 dois terços da população mundial estejam morando nas cidades.

A migração é evidente na China, onde se espera que 800 milhões de pessoas rumem para a cidade nas próximas três décadas e meia. De acordo com Camillo Penna, a urbanização vai demandar especialmente os chamados agregados da construção civil, o grupo de minerais formado por areia, brita e saibro.
A evolução da receita da produção mineral brasileira impressiona quando comparada ao começo da década: ela se elevou quase seis vezes e meia ante os R$ 7,7 bilhões de 2000, de acordo com o IBRAM.

Exportações: no balanço das exportações, a mineração faturou US$ 47,698 bilhões, uma fatia de 18,7% de tudo o que o Brasil exportou este ano. O comércio do país com o exterior está estimado em US$ 255 bilhões em 2011. As contas significam, na prática, que a cada US$ 5 exportados a indústria mineral contribui com quase US$ 1.
O minério de ferro se manteve como carro-chefe das vendas externas, com uma participação de US$ 41,612 bilhões, ou seja, 87,2% do total. O país do ferro, entretanto, ainda teve bom resultado da extração de ouro, nióbio, cobre e silício.

Camillo Penna, do IBRAM, observa que a balança de comércio do setor representa 127,5% da balança comercial brasileira. Para 2012, o presidente do IBRAM diz que o bom desempenho das mineradoras estará mais associado a volumes crescentes do que dependente de alta dos preços. A tendência será de um equilíbrio entre as duas variáveis que implicam no valor da produção mineral.

Para assegurar a expansão tão desejada, a indústria da mineração anunciou recentemente investimentos de US$ 68,5 bilhões deste ano até 2015, dos quais 50% a ser realizados em Minas Gerais. “Não será surpresa se a indústria superar os US$ 70 bilhões nos planos que serão revisados no começo de 2012 para o mesmo período”, disse Camillo Penna.

Fonte: Estado de Minas.
 

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