Bauxita e Ferro dá um “upgrade” na Mineração Baiana

A bauxita de Jaguaquara promete colocar o centro-sul da Bahia em destaque no mercado global de commodities. É nessa cidadezinha com cerca de 50 mil habitantes, onde a anglo-canadense Rio Tinto Alcan coloca R$ 4,5 bilhões para produzir 1,8 milhão de toneladas anuais do mineral usado para fabricar o alumínio. O aporte, primeiro de peso da empresa no Brasil, é reflexo da alta nos preços das commodities que faz regiões, até então pouco expressivas em mineração, ganhar peso com projetos bilionários – com destaque para o Nordeste.

Não à toa, o Estado também é alvo da Bahia Mineração (Bamin), em projeto estimado em US$ 2,5 bilhões para produzir 20 milhões de toneladas de ferro por ano a partir de 2014. "O nosso projeto é o maior do Estado", diz o presidente da Bamin, José Francisco Viveiros.

O aporte é feito de olho no apetite chinês por matérias-primas, responsável por elevar o preço da tonelada de ferro de cerca US$ 15, em 2001, para algo próximo a US$ 140, em 2011. Mesmo diante de incertezas sobre a manutenção dos preços nesse patamar, o executivo mantém perspectivas de ganhos largos. "Estamos vendo os preços com muito otimismo, sustentando-se em nível que vai segurar nosso investimento. Ainda há uma questão estrutural de oferta e demanda desequilibrada", avalia Viveiros.

Descoberta por um grupo de geólogos brasileiros e depois comprada pelo grupo Zamin Ferrous, do indiano Pramod Agarwal, a reserva da Bamin em Caetité, sudoeste baiano, pertence hoje à cazaque Eurasian Natural Resources Corp. (ENRC), que arrematou o projeto em outubro de 2010 por US$ 304 milhões e, no início deste ano, tirou Viveiros da diretoria de mineração da ArcelorMittal.

O depósito tem um minério com baixo teor de ferro (entre 35% a 40%) e, para elevar o produto aos níveis mais negociados no mercado (66% a 68%), a mineradora pretende adotar o processo de mineração sem uso de água para 50% da produção. Outras 10 milhões de toneladas serão beneficiadas no modelo tradicional, com água retirada do rio São Francisco. Tanto a produção a seco quanto a úmida serão escoadas pelo porto de Ilhéus, que a Bamin deve acessar pela Ferrovia de Integração Oeste-Leste, em construção pela Valec.

A Bahia tem dez projetos que somam R$ 11,7 bilhões até 2014, segundo a Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração do estado. O montante inclui investida no recôncavo baiano pela Sul Americana de Metais, joint venture entre a Votorantim e as chinesas Honbridge Holdings e Xinwen Mining Group. A mineradora pretende instalar uma usina de R$ 2 bilhões na região de Ilhéus para produzir 7 milhões de pelotas de ferro por ano. O produto será resultado do minério que Sul Americana deve extrair em Grão Mogol (MG), no Vale do Jequitinhonha.

Segundo Germano Mendes De Paula, especialista em mineração e professor do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia, os investimentos baianos são responsáveis por deslocar o eixo de produção da tradicional zona extrativista do Pará e Minas Gerais. "A Bahia representa a nova fronteira da mineração brasileira", afirma.

Não por acaso, foram solicitados ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) mais de 4 mil requerimentos de estudos geológicos entre janeiro e outubro, contra 2,7 mil em todo ano de 2010. Já os aportes projetados pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) para 2011-2015 contabilizam US$ 4,3 bilhões.

Para Luiz Antônio Ferraz, presidente da processadora de cobre Paranapanema, a logística portuária é o diferencial da Bahia. "O porto de Salvador atende tanto a exportação como a navegação de cabotagem para outros estados. Após os investimentos previstos no PAC, a zona portuária baiana vai ser ainda mais competitiva", avalia. A Paranapanema está no Estado há cerca de 30 anos e, agora, investe R$ 329 milhões para ampliar a fabricação de itens de cobre em 46 mil toneladas.

Outras oportunidades futuras estão se delineando em termos de mineralizações de ferro na Bahia, como, por exemplo, nas áreas que estão sendo disponibilizadas pela CBPM para a iniciativa privada, o que trará para o Estado investimentos de grande porte. É o caso, segundo o diretor técnico da CBPM, Rafael Avena Neto, das áreas recentemente arrendadas para a empresa  Camaleão Mineração, na região de Casa Nova – Remanso. Trata-se de 34 áreas, com 14.500 ha, onde a empresa determinou a presença de importantes ocorrências de ferro. Com previsão de investimento de R$ 3 milhões, em 24 meses, as perspectivas de recursos do depósito giram em torno de 500 milhões/toneladas.

Segundo o Diretor Técnico da CBPM, Rafael Avena Neto, essas ocorrências estão associadas às Formações Ferríferas dos Complexos Lagoa do Alegre e Colomi, geralmente em pequenos serrotes, ocorrendo como Formações Ferríferas Bandadas (BIF) e/ou em intercalações de Metacherts Ferruginosos. Para tanto, foi realizada essa licitação pública visando a pesquisa complementar, onde se prevê a realização de pelo menos 12 mil metros de sondagem. Essa mesma empresa foi vencedora de outra licitação, em áreas da CBPM, na região de Remanso – Pilão Arcado, onde 158 áreas serão arrendadas para Pesquisa Complementar para ferro, cujos trabalhos iniciais indicam uma expectativa de concentrações da ordem de 600 milhões de toneladas de minério de ferro, com teores em torno de 30% de ferro total.

 Fonte: Valor Econômico.

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